por Wilian Delatorre

Wilian Delatorre Personal Travel,
o seu agente pessoal de passagens com milhas e roteiros.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Como dar a volta ao mundo com bilhetes emitidos com milhas - por Celso - PARTE I

Olá pessoal!
Chegou o tão aguardado relato do Celso em como dar uma volta ao mundo com bilhetes emitidos com milhas. Já tinha lido esse relato em outra oportunidade mas quis o destino que ele voltasse a Internet no meu blog e agora com as fotos da viagem. Leiam atentamente esse relato. É uma aula de planejamento e organização para uma emissão complexa com milhas aéreas. Dividi o relato em 2 partes.

Aproveitem!

Sidney Harbour Bridge

Vou relatar o que concretizei em 2011 numa emissão de volta ao mundo.
Primeiramente, o candidato e seus familiares deverão estar realmente dispostos a este propósito, abrindo mão de algumas exigências mas impondo os pontos mínimos aceitáveis. Se você é do tipo de pessoa inflexível saiba que jamais irá conseguir seu intento. Entretanto, abdicando de algumas exigências é possível.

Dividi os desejos em 3 níveis:

Obrigatório – Sem ele não aceitaria viajar.
Muito desejável – Sem ele aceitaria o melhor possível.
Desejável – Sem ele viajaria mesmo assim.


1- OBRIGATÓRIO – Viagem em classe executiva ou primeira, em todos os trechos.
2- OBRIGATÓRIO- Embarque na altíssima temporada (partindo do Brasil após 15 de dezembro)
3- OBRIGATÓRIO – Parada na Europa, na Ásia conhecendo ao menos 2 tigres Asiáticos e na Austrália passando NATAL E RÉVEILLON EM SYDNEY.
4- MUITO DESEJÁVEL – Viajar com a Singapore Airlines.
5- DESEJÁVEL - Viajar no A 380.
6- MUITO DESEJÁVEL – Optar por vôos em empresas no mínimo Skytrax 4*.
7- MUITO DESEJÁVEL – Viajar via leste que é mais confortável ao passageiro.


As premissas para emissão desse vulto são obter as milhas, conhecimento e planejamento detalhados para só então estabelecer o plano. Ao ver os programas que seriam possíveis a opção SMILES e TAP(Star Alliance), mostrava nítida vantagem, pois associavam disponibilidade com menor custo em milhas. Calculei então a quantidade de milhas necessárias para tal emissão e debitei uma reserva adicional em cada programa de 20% a mais em milhas para eventual imprevisto. Obviamente calculei que iria emitir com a máxima antecedência possível – ou seja, com uns 10 meses, pois os programas apesar de falarem que emitem ate com 12 meses os vôos em classes superiores somente estão abertos para tal reserva por volta de 10 meses.

Isto posto então, transferi aos dois programas aproximadamente 600.000 milhas em 02 de janeiro de 2011 (viajei com a esposa). Dias após estas milhas já estavam nos programas e poderia haver emissão a qualquer momento.

Agora necessitava monitorar a disponibilidade na TAP – Victoria.
Como ela não permite acesso do passageiro ao seu chart de disponibilidade usei os seguintes, nesta ordem!

ANA
FLISEA
UNITED
Aeroplan da Air Canada

No site da ANA a disponibilidade é muito parecida com a da TAP-VICTORIA, porém não exatamente igual. Para tanto, confirmava no segundo site e assim por diante para não ser surpreendido com o atendente do Call Center dizendo- Ora, pois, pois, não temos disponibilidade! (Quando na realidade tem!)- Ao ligar, já estava em mãos com o numero inclusive de todos os vôos.

A disponibilidade do SMILES e seus parceiros podem ser vista no site.

Entre o momento do plano e o inicio da sua concretização apareceram os primeiros imprevistos.
1- A Singapore Airlines não permitia mais emissão com milhas para vôos em classes superiores no A380, 77W, 744 e A345 (o que persiste até hoje, mas os 744 e os A 345 foram phase out) liberando tais assentos somente aos passageiros do seu programa KRIS FLYER e alguma coisa no MILES AND MORE da LH.
2- Não havia disponibilidade em executiva no SMILES para sair do Brasil após 15 de dezembro (essa disponibilidade só apareceu muito mais tarde).

Tinha um problema adicional, as emissões seriam obrigatoriamente na mesma data, pois caso contrario correria o risco de ficar pelo trajeto sem disponibilidade de atingir o destino final lembrando que emitiria no mínimo 7 segmentos.

Ponte Vasco da Gama em Lisboa

Iniciando as emissões

Emiti todos os trechos num domingo pela manha que já seria horário do almoço em Lisboa no centro da TAP por telefone e simultaneamente estava na internet do site do Smiles, num horário de pouco movimento com conexão a internet potente para evitar surpresas.
Como não havia possibilidade de emissão no Smiles, em executiva, a saída seria ir com a TAP em executiva até Lisboa (uma grande vantagem é permitir a emissão ONE WAY) que exigia 50.000 milhas por bilhete/trecho. Caso optasse por ir ate Paris com a TAP o premio subiria para 55.000 e ainda o pouso seria em Orly (ORY) e a partida de Paris do Charles de Gaulle (CDG) com destino a Ásia. Transfer longo no inverno europeu! O bilhete foi emitido no A343, que não época não estava reto fitado e era a única possibilidade (tinha fe que trocariam a aeronave ate o momento do vôo, indo num A330 em assento lie flat). Aceitei viajar de TAP , Skytrax ***.

Novo imprevisto, o trecho LIS-CDG operado pela AIR FRANCE não tinha disponibilidade em executiva em nenhuma data sendo vôo curto de aproximadamente 2 h e meia. Entretanto, de Paris para Ásia havia imensa disponibilidade para praticamente todos os destinos que queria em executiva. Emiti então, aceitando viajar no curto trecho em econômica para de Paris ir a Hong Kong, num voo de 11.30h no 77W, meu primeiro destino Asiático. O tempo de conexão em Lisboa era de 5 horas, pois sabia de atrasos com freqüência no vôo GRU-LIS. A emissão pelo SMILES para AIR FRANCE considera região (Europa-Asia, nesse caso), portanto economizei 5.000 milhas por trecho-bilhete, pois emiti TAP para Portugal continental - 50.000 milhas em executiva por trecho-bilhete, contra 55.000 se fosse GRU-ORY e não tive transfer entre ORY – CDG, pois de Lisboa a AIR FRANCE voa para CDG. Esta opção teve inconveniente que mais adiante será relatado (restrição de bagagem).

Mas aqui havia um serio complicador, NEBRASCA em Paris. Em dezembro poderia nevar muito, se fechado os aeroportos eu perderia toda a viagem. Como a emissão ocorre com 10 meses de antecedência não haveria nenhuma possibilidade de prever com segurança o que ia ocorrer. Ficar preso em Paris geraria a perda de toda viagem. Como contornar? Emiti dois bilhetes, one way, com tarifa cheia classe Y de Lisboa para HKG, meu primeiro destino asiático, via Oriente Médio. Esse era o plano B! Se o inverno fosse rigoroso e corre-se o risco de ficar preso em Paris, de Lisboa mesmo iria a Hong Kong, via Oriente Médio, sem risco de nebrasca. Como o bilhete tem tarifa cheia, o reembolso integral sem penalidade ocorre previamente a viagem se cancelado. Pronto, o risco era zero!
Continua.....